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Por Equipe Central do Trabalho · Atualizado em

Afastamento pelo INSS: quem paga, quanto recebe e seus direitos na volta

Afastamento pelo INSS: quem paga os primeiros 15 dias, valor do auxílio-doença, B31 ou B91, FGTS, estabilidade, limbo previdenciário e demissão.

Afastamento pelo INSS: quem paga, quanto recebe e seus direitos na volta

Conteúdo informativo, com base na CLT. Não substitui a orientação de um advogado.

Ficar doente ou se acidentar já é difícil. Entender quem paga o salário, quanto o INSS vai pagar e o que acontece com o emprego torna tudo ainda mais confuso. Este guia explica, passo a passo, como funciona o afastamento pelo INSS para quem trabalha com carteira assinada, e quais direitos você tem durante e depois dele.

Como funciona o afastamento

Período Quem paga O que fazer
Do 1º ao 15º dia A empresa (salário normal) Entregar o atestado à empresa
A partir do 16º dia O INSS (benefício por incapacidade) Pedir o benefício no Meu INSS

Se você tiver vários atestados pela mesma doença em 60 dias, a empresa soma os períodos. Passando de 15 dias, o caso vai para o INSS.

B31 ou B91: a diferença que muda tudo

O INSS tem dois tipos principais de benefício por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença):

B31 (comum) B91 (acidentário)
Quando Doença sem relação com o trabalho Acidente de trabalho ou doença ocupacional
Carência 12 contribuições, em regra Não tem
FGTS durante o afastamento Não Sim
Estabilidade na volta Não 12 meses

Por isso, a classificação do benefício é muito importante. Se a sua doença foi causada ou agravada pelo trabalho, como LER/DORT, perda auditiva, problemas de coluna ou depressão ligada a assédio, o benefício deveria ser o B91.

Como conseguir o B91

  • A empresa deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Se ela não emitir, você, o sindicato, o médico ou qualquer autoridade pública podem emitir.
  • O INSS também pode reconhecer a ligação com o trabalho pelo NTEP, um cruzamento entre a doença e a atividade da empresa.
  • Se o INSS concedeu o B31 e você acha que era B91, dá para pedir a revisão no INSS ou discutir na Justiça.

Veja o guia de acidente de trabalho.

Quanto o INSS paga

O benefício é de 91% do salário de benefício, que é a média das contribuições. Há dois limites:

  • não pode passar da média dos últimos 12 salários de contribuição;
  • não pode ser menor que um salário mínimo.

Exemplo: trabalhador que ganhava R$ 2.500 de forma estável nos últimos anos. O benefício fica perto de R$ 2.275 por mês (91%). Quem tinha muitas horas extras ou comissões pode ter um valor diferente, porque a média considera as contribuições.

Como pedir o benefício

  1. Entregue o atestado à empresa, que paga os primeiros 15 dias.
  2. Peça o benefício no aplicativo ou site Meu INSS ou pelo telefone 135.
  3. Para afastamentos mais curtos, o INSS pode analisar só os documentos médicos enviados pelo aplicativo, sem perícia presencial.
  4. Nos demais casos, você vai para a perícia médica. Leve atestados, exames, receitas e laudos.
  5. Se o benefício for negado, você pode recorrer ou entrar na Justiça Federal.

Durante o afastamento

  • O contrato de trabalho fica suspenso: você não trabalha e a empresa não paga salário (a partir do 16º dia).
  • A empresa não pode demitir sem justa causa.
  • O plano de saúde da empresa deve ser mantido.
  • No B91, a empresa continua depositando o FGTS.
  • O 13º é pago pelo INSS em forma de abono anual, proporcional aos meses de benefício.

A volta ao trabalho

Quando o INSS dá alta, você deve voltar à empresa e passar pelo exame de retorno. Três situações são comuns:

Volta normal. Você retoma a função. Se o benefício era B91, tem estabilidade de 12 meses (art. 118 da Lei 8.213/1991).

Volta com restrições. O médico indica que você não pode fazer certas tarefas. A empresa deve readaptar você em função compatível, sem reduzir o salário.

Limbo previdenciário. O INSS dá alta, mas o médico da empresa diz que você está inapto e não deixa voltar. Você fica sem salário e sem benefício. A Justiça tem entendido que, depois da alta do INSS, a responsabilidade é da empresa: ela deve pagar os salários ou readaptar. Enquanto isso, você pode recorrer da alta no INSS.

Uma dica importante: apresente-se na empresa depois da alta, mesmo que esteja recorrendo. Deixar de aparecer pode ser usado como abandono de emprego.

Afastamento e férias

O tempo de afastamento conta para as férias até 6 meses dentro do período aquisitivo. Se passar disso, você perde as férias daquele período, e uma nova contagem começa na volta (art. 133, IV, da CLT).

Três exemplos

Sandra, operadora de produção, LER no punho. Afastada por 4 meses. A empresa não emitiu a CAT, e o INSS concedeu o B31. Com laudos que ligam a doença ao trabalho repetitivo, ela pode buscar o reconhecimento como B91, com FGTS do período e estabilidade de 12 meses.

João, motorista, cirurgia no joelho por causa de futebol. Afastado pelo B31. Não tem estabilidade na volta, mas não pode ser demitido durante o afastamento.

Cláudia, auxiliar de limpeza, alta do INSS e “inapta” para a empresa. Ficou 3 meses sem receber nada. Pode cobrar os salários desse período da empresa.

Erros mais comuns

  1. Aceitar o B31 quando a doença tem relação com o trabalho.
  2. Não se apresentar na empresa depois da alta.
  3. Perder o prazo de prorrogação, que deve ser pedida nos 15 dias antes do fim do benefício.
  4. Assinar a demissão logo depois da volta sem conferir a estabilidade.
  5. Ficar no limbo por meses sem cobrar a empresa.

Doenças mentais e afastamento

Os afastamentos por depressão, ansiedade e burnout cresceram muito nos últimos anos. Quando a doença tem relação com o trabalho, por exemplo, por assédio moral, metas abusivas ou jornadas exaustivas, ela pode ser reconhecida como doença ocupacional, com direito ao B91.

Para isso, ajudam:

  • laudo do psiquiatra ou psicólogo que mencione a relação com o trabalho;
  • provas da situação no trabalho, como mensagens, e-mails e testemunhas;
  • emissão da CAT, mesmo que pelo sindicato ou pelo próprio médico.

O burnout passou a ser classificado como fenômeno ligado ao trabalho na classificação internacional de doenças. Veja também o guia de assédio moral.

Indenização além do benefício

O benefício do INSS não impede que o trabalhador cobre da empresa uma indenização quando o acidente ou a doença aconteceram por culpa dela, como falta de EPI, máquinas sem proteção ou assédio. A indenização pode incluir:

  • danos morais, pelo sofrimento;
  • danos materiais, como tratamentos e remédios;
  • pensão, quando há redução da capacidade de trabalho.

Esses pedidos são feitos na Justiça do Trabalho, contra a empresa, e não contra o INSS.

Nossa opinião

A diferença entre B31 e B91 parece burocrática, mas vale muito dinheiro e segurança: FGTS de todo o período, estabilidade de 12 meses e, muitas vezes, base para uma indenização. Ainda assim, muitas empresas evitam emitir a CAT justamente para não gerar esses direitos.

Se você se afastou por algo que o trabalho causou ou piorou, peça a CAT por escrito e guarde todos os laudos. E, se ficou no limbo entre o INSS e a empresa, não espere: cada mês sem salário pode ser cobrado, e a situação costuma piorar com o tempo.

Próximos passos

Veja o guia de acidente de trabalho, confira o prazo para entrar com processo e fale com um advogado trabalhista se a empresa não emitiu a CAT, se você ficou no limbo ou se foi demitido depois da volta.

Perguntas frequentes sobre afastamento pelo inss

Quem paga os primeiros 15 dias de afastamento?

A empresa paga o salário normal dos primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente. A partir do 16º dia, se o afastamento continuar, o pagamento passa a ser feito pelo INSS, por meio do benefício por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença).

Quanto o INSS paga no afastamento?

O benefício corresponde a 91% do salário de benefício, que é calculado pela média das contribuições. O valor não pode passar da média dos últimos 12 salários de contribuição nem ser menor que um salário mínimo.

Qual a diferença entre B31 e B91?

O B31 é o auxílio por incapacidade temporária comum, para doenças sem relação com o trabalho. O B91 é o acidentário, para acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. O B91 garante FGTS durante o afastamento e estabilidade de 12 meses depois da volta.

Precisa de carência para o auxílio-doença?

Em regra, 12 contribuições mensais. Não há carência em caso de acidente de qualquer natureza, doença ocupacional e algumas doenças graves listadas pelo governo.

A empresa pode me demitir durante o afastamento?

Não. Durante o afastamento pelo INSS, o contrato fica suspenso e a demissão sem justa causa não pode ser feita. Se o afastamento foi pelo B91, ainda há estabilidade de 12 meses depois da volta.

O que é limbo previdenciário?

É quando o INSS dá alta, mas o médico da empresa considera o trabalhador inapto e não o deixa voltar. O trabalhador fica sem salário e sem benefício. A Justiça tem entendido que, depois da alta do INSS, a empresa deve pagar os salários ou readaptar o trabalhador.

A empresa deposita FGTS durante o afastamento?

Só no afastamento por acidente de trabalho ou doença ocupacional (B91). No auxílio comum (B31), a empresa não precisa depositar o FGTS durante o período em que o INSS paga.

Afastamento pelo INSS faz perder as férias?

Se o afastamento passar de 6 meses dentro do mesmo período aquisitivo, mesmo que em períodos separados, o trabalhador perde as férias daquele período, e uma nova contagem começa na volta (art. 133, IV, da CLT).

Como pedir prorrogação do auxílio-doença?

Pelo Meu INSS ou pelo telefone 135, nos 15 dias anteriores à data de cessação do benefício. Leve atestados e exames atualizados para a perícia.

Quem está afastado pelo INSS pode trabalhar em outro lugar?

Não deve. Trabalhar durante o benefício por incapacidade pode levar ao corte do benefício e à cobrança dos valores recebidos, além de poder ser visto como falta grave pela empresa.

Afastamento por depressão ou ansiedade pode ser B91?

Pode, quando a doença tem relação com o trabalho, como em casos de assédio moral, metas abusivas ou esgotamento (burnout). Laudos médicos que apontem essa ligação e a emissão da CAT ajudam no reconhecimento.

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